Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Capital do diesel

Aproveitando a minha folga de sexta-feira passada (abençoada seja a espanhola, que por mais má professora que seja, às vezes tem umas baldas 5 estrelas), fiz um desvio que já tinha intentado há muito, e fui dar uma vistinha de olhos ao Barreiro.
Porquê o Barreiro?
Bom, como já demonstrei, há alguns posts atrás (e especialmente se fossem seguir os links que eu tenho do lado direito), eu sou um fã da ferrovia, e, caso não saibam, o Barreiro foi um dos (se não o) pontos nevrálgicos mais importantes da rede ferroviária portuguesa (tanto que existe uma locomotiva baptizada como "Cidade do Barreiro") ao ponto da cidade ser conhecida como a "Capital do Diesel".
E foi disso mesmo que fui à procura.
E, quando cheguei ao término da viagem, no km 0 da linha do Alentejo1 - ou seja, na estação intermodal do Barreiro - vi uma estação cujo fulgor de outras eras era, apenas e só, uma distante memória.

Denota-se o passeio gasto, dos milhões de pessoas que passaram pelas plataformas da estação, gente rumo á terra, para passar as férias de Verão, ou o Natal, junto da família que ficou no campo, gente que vem, cheia de pressa, cansada de um dia de trabalho e desejando chegar a casa rapidamente, gente que decidiu aproveitar um ou dois dias de férias para ir passear para outras bandas... Daqui partiam os Directos e os "Ónibuses" rumo ao Algarve, até ao Alentejo, depois os Rápidos, Directos, Semi-Directos e os Regionais, até aos InterCidades, InterRegionais e Regionais...
E o tempo foi passando, e outra alternativa se criou. E uma estação deste tamanho...

... hoje em dia, para além dos Urbanos da Linha do Sado, tem um mísero regional por dia para Beja.
No entanto, não foi apenas por aqui que me quedei.
A cidade do Barreiro é servida por duas estações, Barreiro, e Barreiro-A (bom, se formos realmente correctos, três estações, que o Lavradio faz parte do Barreiro. E se quisermos ser ainda mais correctos... duas estações e um apeadeiro, porque o Barreiro-A é apeadeiro... mas perco-me em especificidade). E junto aos edifícios do Barreiro-A, nas linhas de resguardo, encontra-se este panorama:

Muito material circulante encostado, à espera de destino. Muito material com história, muito material que se fartou de traccionar composições para cá e para lá, de Norte a Sul do país, e que, neste momento, tem futuro incerto. Algumas das suas companheiras de sorte (ou, diria mesmo, "infortúnio") foram vendidas a empreiteiros - empresas que tratam de construir ou arranjar troços da rede ferroviária - , ou vendidas a outros países - ainda a semana passada partiu mais uma remessa de locomotivas e carruagens rumo à Argentina - ou mesmo... desmontadas, ou derretidas.
Gostava de as ver a funcionar, a fazer serviço novamente, mas infelizmente, muito pouco daquele material é capaz de se mover pelos seus próprios meios. Para as fazer funcionar novamente seriam precisos investimentos chorudos, e a CP não está para aí virada, que o diesel tende, com o tempo, e com as electrificações das vias, a ser cada vez menos preciso... e o material, já mesmo antes de ser encostado, já não era do mais fiável.
Andei pelo meio daquelas locomotivas, automotoras e carruagens a tirar fotografias (não completamente à vontade, mas basta uma credencial da REFER para nos deixarem em paz), que não reproduzo aqui para não entupir o web-log, e a desejar que o tempo voltasse atrás e que me fosse possível vê-las quando ainda eram funcionais, e andar dentro daquelas carruagens tão diferentes das de agora, em que nos era permitido viajar com a janela aberta, e ir levando com o vento na cara, a olhar lá para fora sem se ter um vidro pela frente...
Ficam as memórias...

Boas melancolias,
NvH - Procuram-se horas de sono.





1- Dantes, era aqui o início da linha do Sul, que ia por Casa Branca, Beja, Funcheira, Tunes, Faro e terminava em Vila Real de Santo António, enquanto que o troço ferroviário entre o Pinhal Novo e a Funcheira, passando por Setúbal, Alcácer do Sal e Grândola, era conhecido como Linha do Vale do Sado. Agora, a Linha do Sul começa em Lisboa, depois de Campolide, e vai até Tunes, enquanto a linha do Alentejo segue hoje os trilhos da antiga Linha do Sul, terminando na Funcheira. Úm bocadinho de cultura geral, coisa que nunca fica mal a ninguém...

Engendrado por Nettwerk van Helsing às 10:24
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