Sábado, 16 de Julho de 2011

Sobre a mudança

Pois é... é tempo de fazer uma mudança. 

 

Já ando nisto dos web-logs há coisa de seis anos - se bem que com um pequenito hiato de um ano; quando comecei, fui  para o Blogspot, não sei muito bem porquê; dois anos depois, mudei-me para o Sapo, onde tenho permanecido até hoje; e, desta vez, é tempo de passar este web-log à reforma. Porquê? Porque, enfim... o Nettwerk van Helsing metamorfoseou-se em outro ser diferente, em outro alter-ego mais mordaz, mais irónico1. Por isso - e mesmo para ter um endereço um bocadinho mais simpático - vou-me mudar de armas e bagagens.

 

Não vou, porém, sair do Sapo. Não tenho nada contra a rapaziada das outras plataformas, mas, como esta sempre é nacional, vou-me continuar por cá. E como, ainda por cima, agora é possível exportar o web-log do Sapo para outro lado qualquer (até mesmo para o próprio Sapo)... é ouro sobre azul.

 

Portanto, este é o último post do Nettwerk van Helsing. O último post deste web-log. Para quem ainda faz um esforço por me ler, vou ter de vos pedir para passarem a vossa atenção para este link:

 

http://disfuncoes.blogs.sapo.pt/ 

 

 

onde, por acaso, já se encontram todos os posts congeminados por mim desde o longínquo mês de Janeiro de 2005. Parece estúpido? Talvez - só que eu gosto de carregar toda a minha tralha atrás de mim...

 

Espero por vocês lá :)

 

 


1- ou, pelo menos, é nisso que eu quero acreditar. Logo se vê, pois então. 


Engendrado por Nettwerk van Helsing às 02:33
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Sobre as pedaladas

Contra tudo o que me é natural, contra os meus genes , e contra a minha vontade, mesmo, decidi que não vou assistir ao Tour de France deste ano. Porque, mais uma vez, este é mais um dos meus gostos que se corrompeu com o tempo.

 

Comecei a assistir ao ciclismo internacional ainda no tempo em que tal só se podia ver na RTP2, com os comentários do Marco Chagas; e assisti ainda ás últimas vitórias desse portento espanhol chamado Miguel Indurain, às lutas titânicas contra Alex Zülle, Bjarne Riis e Marco Pantani, à camisola às bolinhas permanentemente presente no corpo de Richard Virenque, às tentativas de Erik Zabel para manter a camisola verde... e, depois disso, surgiram outros nomes: Jan Ullrich, Joseba Beloki, os irmãos González de Galdeano, Mario Cipollini, José María Jimenez, Roberto Heras, Oscar Sevilla, Santiago Botero, Francisco Mancebo, Stuart O'Grady, o nosso José Azevedo, Robbie McEwen, Levi Leipheimer, Carlos Sastre, Ivan Basso, Alexander Vinokourov, Tyler Hamilton, Iban Mayo, Thor Hushovdt, Fabian Cancellara, Tom Boonen, Andreas Klöden, Óscar Pereiro, Michael Rasmussen, Cadel Evans, Floyd Landis, Alessandro Petacchi, Denis Menchov, os irmãos Schleck, Mark Cavendish... e, claro, o inigualável Lance Armstrong. E, ainda na RTP2 ou, mais tarde, na Eurosport, vi e admirei as façanhas desta gente - chegando mesmo ao ponto de arranjar uma bicicleta de manutenção onde pedalava aquando das transmissões televisivas. De ver as quedas, de ver a força de pernas daquela gente, a arrastarem-se montanha acima e montanha abaixo, montados numa bicicleta, fizesse vento, chuva ou calor.

 

Porém, hoje em dia, a situação é diferente. Devido a uma palavra. Doping.

 

Desde o escândalo de 2006 que, praticamente, todos os anos há corredores a serem desqualificados à posteriori, classificações que ficam sem vencedor depois dos laureados terem sido apanhados nas malhas do controlo anti-doping. E, para mim, a machadada final foi dada por um espanhol gabarola que, inclusivamente, já foi apanhado nas malhas do doping, mas que, apesar de tudo, continua pelas estradas a vangloriar-se e a competir: Alberto Contador.

Para além de não grande coisa como ser humano (as histórias da rivalidade Contador-Armstrong durante o Tour de 2009 ainda estão bem vivas na memória de todos), a falta de humildade demonstrada nas semanas seguintes à sua primeira vitória fizeram-me desgostar dele como ciclista, eu que até o começava a apreciar. E a história do clenbuterol apanhada durante o Tour do ano passado, juntando-se às dos resíduos plásticos encontrados em amostras sanguíneas do espanhol, só comprovam que, para além de ser um mau ciclista, é um mau desportista. Porém, a Real Federación Española de Ciclismo , depois de ter proposto a suspensão do espanhol, aceitou o seu apelo; e os apelos tanto da UCI e da Agência Mundial Anti-Dopagem continuam por decidir, depois de Contador ter pedido uma extensão de tempo.

 

E, em Portugal, a situação não melhora. Depois das duas maiores equipas portuguesas (União Ciclista da Maia em 2008, Liberty Seguros Continental em 2009) terem sido varridas do mapa à conta de escândalos de doping, e de termos tido vencedores da Volta a Portugal a perderem o galardão à conta disso mesmo, o meu interesse pela prova máxima do calendário velocipédico nacional é nulo. E, diga-se em abono da verdade, não há muito para interessar ali: uma volta que passa apenas pela zona centro e norte do país, reduzida ao mínimo possível, cortando nas típicas etapas ao sprint do Algarve e Alentejo, do contra-relógio de Portalegre, até duma possível subida ao Alto da Serra de Monchique (que já aconteceu, no passado)... para se centralizar, apenas e só, acima do Tejo - e a edição deste ano apenas entra na zona da Grande Lisboa no último dia e para acabar, pois de resto é tudo "lá para cima". E é este o ciclismozinho que temos.

 

Por isso, depois do Benfica, eis mais um amor que vai pelo cano de esgoto. Já não restam muitos, já...


Engendrado por Nettwerk van Helsing às 22:37
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011

Sobre os novos acessos

Ainda no seguimento do meu post anterior, vai um exercício de flashback? Vamos comparar os acessos das zonas da Grande Lisboa e Grande Porto entre 1975 e 2009.

 

Lisboa

 

1975:

 

2009:

 

 

Porto

 

1975:

 

2009:

 

Poucas diferenças, hein?

 

 

 



NOTA: os mapas de 1975 são editados pelo ACP; os de 2009, pela Michelin.


Engendrado por Nettwerk van Helsing às 23:17
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Domingo, 10 de Julho de 2011

Sobre o alcatrão portajado

Somos um país de aparências. Ponto.

 

Podemos dizer a todo o mundo que temos perto de 50 auto-estradas, que temos 2.793 km de auto-estradas - que, no futuro, passarão a ser 3.383. Também poderemos dizer que temos uma das maiores taxas de auto-estradas por metro quadrado1. E, suponho, tudo isso nos faz sentir bem connosco próprios, com orgulho de termos vias em bom estado que nos levam a todo o lado rapidamente.

No entanto, as coisas não são bem assim.

 

Não me vou debruçar sobre a assimetria da localização de tais vias (principalmente, Norte e Litoral), ou sobre a redundância de algumas delas. Pretendo apenas olhar para o que temos, hoje em dia, considerado como auto-estrada, segundo a EP. É que, afinal de contas, temos auto-estradas "camufladas" - sem as mesmas terem as indicações de tal na sinalização presente ao longo das mesmas

 

Nas primeiras 25 auto-estradas, não se encontra nada de anormal2. Quando se chega à A26, porém, o caso muda de figura. Para quem não sabe, esta é a via que vai ligar Sines a Beja (o IP8), da qual existe já um pequeno troçozito entre Sines e Santiago do Cacém. Ainda sou do tempo que essa estrada lá tinha as placas de via rápida, as antigas (que, infelizmente, não consigo encontrar na net, senão colocava aqui); desde então, retiraram as ditas placas e incluíram-na neste projecto, já designando-a como "A26"... esquecendo-se de que não é uma auto-estrada: tem viragens à esquerda, cruzamentos, paragens de autocarro e não existe vedação à volta das faixas de rodagem. Depois, temos a A30, que não passa de uma via rápida entre a Ponte Vasco da Gama e Santa Iria da Azóia; a A31, que, apesar de ter "perfil de auto-estrada", possui lombas e nós impróprios para uma via exclusiva para automóveis; a A36, que... bom, é a CRIL; a A37, que é o nome "pomposo" do IC19; a A38, que é a Via Rápida da Costa da Caparica - que tem um cruzamento à esquerda e tudo, para além de paragens de autocarro ao longo do percurso; a A39, a Via Rápida do Barreiro, que, um dia, há-de dar ligação a Lisboa pela Terceira Travessia do Tejo, mas que, por agora, é uma simples via rápida com cruzamentos, rotundas e tudo; a A40 - Radial de Odivelas, que continua a manter a designação de IC22; e, para finalizar, o caso flagrante da A44, uma auto-estrada estreitinha e bermas estreitinhas, com paragens de autocarro e trocos ainda assinalados como IC23. Já agora, todos estes casos, salvo erro, não se encontram sinalizados como auto-estradas. Porém, estão incluídos no PRN2000 como tal... e também há alguns com limites de velocidades inferiores à norma e que não foram aqui referenciados, para não maçar.

Dá a ideia de que era necessário termos um x número de auto-estradas e que, dessa forma, muitas das vias rápidas e IC's existentes foram "promovidas" sem se reparar se tinham ou não perfil para isso. E, apenas mais tarde, se pensou em modificá-las, a médio-longo prazo. Não faz sentido, mas, mais uma vez, é mais um caso de nos preocuparmos com as aparências, apenas e só - por isso, a minha abertura deste texto.

 

Não sou contra as auto-estradas, atenção. Sou contra, isso sim, "dourar-se a pílula" para parecermos bem nas estatísticas e considerarmos como auto-estradas vias que não o são. Mas tudo bem.

 

 


1- Não tenho aqui os números à mão, pronto.

2- Com excepção dos troços do IC10 entre Santarém e Almeirim que já é considerado parte da A15, e do IC16 entre a CREL e a CRIL e à A20, ainda pouco assinalada como tal; e, em relação à A19, não vou comentar, por não poder comprovar a situação no terreno.


Engendrado por Nettwerk van Helsing às 15:20
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Terça-feira, 28 de Junho de 2011

Sobre os carris

 

Nos meus passeios pelos espaços de discussão cibernéticos sobre os CF's nacionais, há quem diga à boca cheia que sou incendiário, que defendo o fim da nossa ferrovia, que só quero ver carris a serem levantados, criação de ecopistas, and so on. Está na altura duma explicação sucinta: eu não sou contra os caminhos-de-ferro nacionais. Sou, sim, contra os caminhos-de-ferro nacionais que temos.

 

Confuso? Eu passo a explicar.

 

Em 1949, acabou de ser construído o troço entre Estremoz e Portalegre, o último duma grande rede de 3.592 km de ferrovia, entre via larga e via estreita. Uma rede que, e insisto deveras neste ponto, não cumpriu a sua missão decentemente. Porquê? Porque haviam linhas às curvas e curvinhas em zonas planas, com estações e apeadeiros localizados fora dos centros das cidades, ou mesmo no meio do nada - e algumas bastante longe das povoações que, supostamente, serviriam. Os principais causadores destas falhas foram os proprietários dos terrenos, que não os queriam ver cortados pelo cavalo de ferro, forçando as linhas a passarem por locais onde não causassem tanto "transtorno", para além dos construtores de via férrea, que eram pagos ao quilómetro. Provavelmente terão havido outros mais factores, mas estes são os principais. E, graças a eles, ficamos com uma rede disfuncional, cuja principal utilização começou a centralizar-se no eixo Porto - Lisboa - Barreiro - Faro, com as restantes linhas a começarem a sofrer um lento definhar. E as linhas que estavam projectadas para chegarem mais além, atingirem outras terras, interligarem-se noutros pontos, ficaram na gaveta. não chegaram ao seu destino...

 

A partir daí, a meu ver, é verdade, falhou o Estado Novo. Poder-se-ia ter apostado, a partir da década de '60, numa reforma monumental das nossas linhas, mudanças de traçado, construção de novas linhas que substituíssem algumas das mais velhas e deficitárias. Mas não aconteceu. Até consigo compreender que não se visse necessidade disso, tendo em conta que começavam a aparecer as primeiras auto-estradas e que se achasse necessário, para além de termos uma boa rede ferroviária, também termos uma boa rede rodoviária. Porém, falhou a ideia, principalmente pelo facto da primeira não ser, de todo boa. E isso viu-se quando o poder de compra aumentou, as estradas se foram espalhando um pouco por todo o país e foi possível aos portugueses adquirirem o seu automóvel: as pessoas que se sujeitavam a viajar quatro, cinco horas, sujeitas a transbordos, passaram a fazer as suas deslocações de automóvel, demorando, por vezes, menos tempo, em outros casos talvez mais, mas com o conforto de irem no seu espaço, à vontade, e arrumando as suas bagagens à sua maneira. E, com isso, os comboios passaram a andar mais vazios. O que provocou a diminuição do seu número... e o encerramento de algumas linhas. O Ramal de Aljustrel viu-se privado do serviço de passageiros em 1976, a ligação internacional da Linha do Douro entre Barca D'Alva e La Fregeneda, em Espanha, cessou em 1985 - com o troço Pocinho - Barca D'Alva a ser encerrado em 1988 - a Linha de Guimarães perdeu a sua ligação a Fafe em 1986, a Linha de Leixões e os ramais de Mora, de Montemor e do Montijo em 1987, a Linha do Dão, parte do Ramal de Aveiro1 e o Ramal de Reguengos em 1988, o Ramal da Alfândega, no Porto, e a Linha do Sabor em 1989...

 

Em 1990, o Governo de Cavaco Silva deu mais uma machadada brutal nas linhas de caminho-de-ferro. Foram-se cerca de 340 quilómetros de ferrovia, entre linhas no Alentejo, zona Centro e Trás-os-Montes. E a história, daí em diante, é sobejamente conhecida, com o tumultuoso encerramento da Linha do Tua (primeiramente até Mirandela, depois com a história da barragem), o fim dos comboios no Ramal de Famalicão, na Linha da Póvoa (com a passagem para o Metro do Porto)...

 

No entanto, não se pense que tudo o que se passou desde 1950 foi encerrar linhas: ainda se fizeram mais algumas ligações, maioritariamente para o transporte de mercadorias, com a construção dos ramais do Louriçal, das Minas de Neves-Corvo, da Central do Pego, da Siderurgia Nacional, a Concordância do Poceirão... e a única linha especificamente virada para o transporte de massas desta época não pode ser olvidada: a entrada em cena da Fertagus, em 1999, com comboios a passar na Ponte 25 de Abril, como projectado desde a década de '60. E, em 2003, com a conclusão da ligação entre Coina e o Pinhal Novo, ficou concluído o eixo Braga - Porto - Lisboa - Faro. Mais recentemente, foram, também inauguradas duas variantes, na Trofa e em Alcácer do Sal... mas é insuficiente. As linhas, a meu ver, necessitariam duma reforma geral, de haver uma linha directa a ligar Lisboa, Évora, Beja e Faro, de se ter uma linha nova entre o Porto, Vila Real e Bragança, com ligação a Espanha, de existir uma nova linha entre Lisboa e o Porto - uma linha em condições, nada daquilo que existe hoje em dia. Com o dinheiro que já foi enterrado na Linha do Norte, poder-se-iam ter construído umas duas ou três novas linhas... e a existente continua miserável.

 

Por isso, fui e sou defensor da Alta Velocidade. Acredito que esta é(ra?) uma oportunidade de se corrigir os erros do passado, de termos, finalmente, depois de 154 anos, uma rede ferroviária funcional e a passar nos sítios importantes. Assim como o corredor Sines - Elvas, para escoamento de mercadorias e, também, para tornar no Porto de Sines uma porta de entrada para a Europa. E o que temos, hoje em dia? Temos apenas a ligação Poceirão - Caia com luz (razoavelmente...) verde para avançar, temos uma ligação que sai de Sines pela linha velha pois os autarcas da zona não quiseram uma nova linha... e pouco mais. Pouco mais pois as autarquias, mais uma vez, como há 100-150 anos, estão a colocar-se em bicos de pés e a achar que estão a defender os seus interesses - quando, na realidade, é ao contrário. No entanto, em Portugal, já não há nada a fazer, pois a nossa mentalidade é demasiadamente comodista. De que serve termos comboios a levarem-nos à terrinha, ou de viagem, se temos uma auto-estrada, ou uma estrada, ali ao lado, e temos o nosso carro?

 

 

Nos dias de hoje, ou se tem uma ligação atractiva, com bons comboios, bons horários, linhas em condições e a passarem nos sítios certos - ou, já agora, com um serviço complementar de autocarros e/ou interligação entre o transporte rodoviário e o ferroviário - ou tem-se o que temos hoje nas linhas mais afastadas do eixo Braga - Faro: o vazio, o abandono.

 

Em 2011, temos 2.791 quilómetros de vias férreas. Menos 801 quilómetros que há cinquenta anos. E fala-se que o mapa poderá mirrar ainda mais. Mas a discussão do que eu acho que deveria ficar aberto ou não, de quantos desses 2.791 quilómetros merecem continuar abertos, fica para uma outra oportunidade: afinal de contas, este post já vai gigantesco.

 

 


1- que fizeram com que Viseu fosse a primeira capital de distrito a perder a ligação ferroviária.


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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

Sobre o Verão

Já começou a época balnear.


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Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Sobre a passagem do tempo

Há um ano, no dia mais longo, a malta acordou às 3, 4h para ir à Beira Alta fotografar diverso material circulante ferroviário e fazer uma perseguição a um porta-automóveis.

Este ano, no dia mais longo, a malta acordou ao meio-dia e foi ao Oeste fotografar uma ida e uma volta dum único comboio de mercadorias.

 

O tempo é uma merda.


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Sábado, 18 de Junho de 2011

Sobre a viragem

Ora bem, as eleições vieram e foram. E, como já se previa, o tirano caiu. E que estrondo! Já nem me recordo da última vez que vi o PS com uma votação tão baixa. E o Bloco foi ceifado pela metade, algo, também, bastante positivo. Mas, claro, para variar, todos ganharam. Quem ouviu os discursos dos líderes políticos no rescaldo das eleições, cada partido teve a sua vitóriazinha. Muitas delas morais, mas enfim, questões secundárias.

 

E pronto, está aí à porta o novo governo. E, tenho de confessar... estou surpreendido. Estava à espera de mais do mesmo, de apenas mudarem os nomes... mas, aparentemente, é uma mudança algo radical. E com independentes à mistura, o que muito me apraz. Em vez de se apostar nos dinossauros de sempre, nos nomes já sobejamente conhecidos da nossa praça pública, aposta-se, maioritariamente, em sangue novo. Gostei. Posso-me sempre vir a arrepender de o dizer, pois, infelizmente, ainda não sei ver o futuro. Mas eu acardito.


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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Sobre a paixão

Acabou-se. Para mim, já chega. Estou farto.

Quero agradecer ao senhor Luís Filipe Vieira por ter conseguido matar o meu amor por um clube que já foi grande e agora é uma sombra de si próprio.

 

Quando nasci e me fui tornando gente, e fui iniciado no benfiquismo, tomei noção de que me havia tornado adepto dum grandioso clube, com história e tradição, com uma mole humana comparável a poucas equipas no mundo. Viam-se adeptos provenientes de todas as partes do mundo, viam-se autênticas romarias ao Estádio da Luz ou onde quer que o Benfica jogava. Viu-se uma massa adepta fervorosa, que ajudou o clube nos momentos difíceis, que deu a mão na hora de mudar de estádio, que colaborou na construção do Estádio da Luz (o velhinho), que tinha uma palavra a dizer nas decisões do clube (a contratação de estrangeiros foi a principal). Um Benfica que ganhava títulos, que contratava pela certa, que mantinha a espinha dorsal da equipa de ano para ano.

 

Tudo isso acabou.

 

Hoje em dia, o que temos? Temos um benfica1 amorfo e sem chama,um benfica que não hesita em se libertar das suas referências, dos poucos jogadores que ainda podem transportar alguma da mística de outrora. Um benfica que não passa duma "ponte aérea para a Europa", onde os jogadores não se importam que a equipa ganha ou perca, contando que o salário esteja no banco no final do mês e que, dali uma época ou duas, estejam noutras paragens. Um benfica onde, em vez de se investir nos activos do clube - ou nos que estão emprestados ao clube e que mostram algum valor - se compram contentores de jogadores, sem garantias de qualidade da grande parte - ou de todos, mesmo; e onde alguns desses jogadores são envolvidos em estranhas negociatas com propósitos terceiros.

O que me assusta é que esta versão do benfica foi escolhida pelos sócios. Foram os sócios que votaram para que as coisas continuassem assim.

 

Luís Filipe Vieira subiu à cadeira presidencial do Benfica a 3 de Novembro de 2003 - há oito anos - e, em todo este tempo, o clube ganhou dois Campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e três Taças da Liga. Com oito anos de mandato, Pinto da Costa havia dado ao Porto quatro títulos de campeão nacional, acompanhados de duas Taças de Portugal, quatro Supertaças, uma Taça dos Campeões Europeus, uma Taça Intercontinental e uma Supertaça Europeia. Não querendo entrar sobre a legitimidade das conquistas azuis-e-brancas, a verdade é que, mesmo com a distância temporal entre os dois períodos, me parece muito pouco aquilo que o benfica conquistou nestes anos. Pode-se dizer que a culpa não é de Vieira, pode-se dizer que os culpados foram os antecessores, que minaram o Benfica até ele se transformar no benfica de hoje. Agora, quando se recua no tempo - para os que não possuem as palas nos olhos - e se relembra que um dos apontados como responsável pelo início da hecatombe, Manuel Damásio, ao ver que havia falhado, pediu a demissão do cargo de presidente. Ao invés, Vieira continua agarrado à cadeira, gritando e bramindo contra os "abutres", os "garotões que se querem apropriar do Benfica", que, graças a ele, o "Benfica é um produto muito apetecível" e que, quando ele chegou, "o Benfica só tinha as pedras da calçada", como se ele fosse uma espécie de Messias que iria recolocar o Benfica no topo da Europa, como tão propalado durante as inúmeras entrevistas que deu.

Na temporada passada (2009-10), deu mostras de poder lá chegar, de facto, com uma equipa a jogar um futebol fantástico, a ser demolidora, a não dar hipóteses aos adversários - porém, a apenas conseguir fazer a festa de campeão na última jornada. Parecia que o Benfica estava a surgir de novo. E, quando se julgaria que, na temporada seguinte - esta - se veria um Benfica com garra, a defender o estatudo de campeão com brio, a contrariar a hegemonia do Porto... o que se viu foi uma monumental colecção de gaffes, um plantel sem substitutos de altura para colmatar as saídas de pedras fundamentais - especialmente a de Ramires - e a penar com os frangos dum guarda-redes pago a peso de ouro. Viu-se o Porto humilhar completamente o campeão nacional, sem os adeptos terem direito, sequer, a um pedido de desculpas. Viu-se o Porto sagrar-se campeão na Luz, com a rábula dos aspersores e do apagão a darem ainda mais uma machadada nos já de si escassos valores ainda sobreviventes do Sport Lisboa e Benfica fundado por Cosme Damião. E, mais uma vez, não houve explicação oficial, não houve comentário, nada. Viu-se um benfica ser eliminado da Taça UEFA (Liga Europa, digo), por um Braga perfeitamente ao alcance (?) do clube de Lisboa, e, mais uma vez, não se ouviu comentário nenhum proveniente do clube - aliás, os jogadores até foram desviados no aeroporto aquando da chegada para não terem de levar com os adeptos que foram lá receber a equipa e pedir explicações. Viram-se cargas policiais contra adeptos benfiquistas, instigadas pelas próprias chefias do clube, especialmente contra adeptos pacíficos cujo único pecado que cometeram foi sair de casa e irem ao estádio apoiar o seu clube. E, mais uma vez, a direcção não fez nada para meter as coisas em pratos limpos. Viu-se um clube a festejar a conquista da Taça da Liga como se se tivesse ganho uma competição europeia. Viu-se um presidente que, nas horas de crise, andava a passear pelo Brasil a passear, à laia de férias. Um presidente que nunca podia ver os jogos do Benfica, ou que saía a meio. Um presidente que transformou os sócios do Benfica em carneirinhos, que respondem "amén" a tudo o que o Grande Líder diz. Um presidente que, antes de se confessar virtuoso benfiquista, como presidente do Alverca2, celebrou vitórias sobre o Benfica abraçado a Pinto da Costa. Um presidente condenado por roubo, que nunca se arrependeu do que fez.

 

Para mim, chega. Este não é o Benfica que aprendi a amar e a respeitar. Estas não são as pessoas que eu quero ver no Benfica. Este já deixou de ser o Benfica dos seis milhões, para passar a ser o benfica dos 90%. E como, nitidamente, não faço parte dos 90%, vou fazer algo que me custa bastante, que nunca pensei que tivesse de fazer: vou cortar o meu cordão umbilical. Vou deixar de torcer pelo Benfica como até agora, deixar de vibrar com os golos relatados pelo Pedro Sousa. Sinto que uma parte de mim está a morrer, mas é assim a vida.

No dia em que haja um projecto credível à frente do Benfica, que haja uma gestão de Benfiquistas à frente do clube, que o benfica volte a dar lugar ao Benfica, voltarei ao estádio, a torcer pelo Glorioso. Até lá, não contem comigo.

 

Adeus, SLb.

 

 

 

 


1- em letra pequena para distinguir do Verdadeiro Benfica que vi e amei.

2- clube que, depois da saída de LFV para o Benfica, misteriosamente faliu.


Engendrado por Nettwerk van Helsing às 12:02
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011

Sobre as moscas

Bom, então diz que temos aí mais um período eleitoral para o Parlamento. Mais um período de duas semanas em que os políticos (ou serão mais pulhíticos?) irão percorrer o país de Norte a Sul, inundando o país de panfletos e cartazes defendendo os seus ideais (ou a falta deles), fingindo ouvir as pessoas, condoendo-se com as suas dores, expelindo grossas lágrimas de crocodilo ao ouvirem as súplicas e os queixumes aflitivos dum povo cansado de sentir o cinto apertado há anos. Mais um período em que os nossos impostos vão ser utilizados para nos darem música durante estes quinze dias, para as cassetes da propaganda serem rodadas ao longo das estradas, feiras, festas, romarias, e espaços do género, onde se distribuem porta-chaves, fitas, canetas e todo o material inútil que é utilizado nestas acções. Multiplicam-se os almoços e jantares-comício, onde cada um procura ter o máximo de pessoas possível, mesmo com "ajuda" de pessoas que nem sequer podem votar. Os noticiários passam a ser dominados pelas notícias da campanha, pelas picardias entre os candidatos a Primeiro-Ministro, pelos comentários dos lambe-botas partidários (sempre em busca dum lugarzinho onde possam continuar a ser yes-men em troca duns trocados).

 

E para quê?

 

Simples. Para continuar tudo na mesma. Depois de 5 de Junho, as coisas vão permanecer iguais. Seja lá quem for que ganhe o direito de constituir governo, o calcanhar vai continuar bem cravado na cada de todos nós. E isto aplica-se quer seja comunista, bloquista, socialista, social-democrata ou dos outros. Dos dois primeiros, de facto, já não há nada a esperar. Depois de trinta e tal anos a ouvir as ideias da esquerda - ou melhor dito, a cassete da esquerda - seria expectável que os portugueses já tivessem aberto os olhos e dado um definitivo pontapé nesse resquício caduco do século XX1 que ainda mina a sociedade portuguesa. Porém, constata-se que, ao invés, ainda existe uma parte significativa do eleitorado que ainda se refugia por detrás da bandeira carmesim da comuna estalinista, trotskista e mais uns quantos istas, achando que, de verdade, esses são os que se interessam pelo trabalhador comum, eternamente espezinhado pelo satânico capitalista, pela população desempregada cujo número não pára de aumentar. A verdade é que eu mais depressa me atiraria para uma piscina infestada de piranhas ostentando um par de calções feitos de carne do que colocaria a minha cruz no quadradinho dos comunistas. Gentinha mais retrógrada ainda não conheci. Se Charles Darwin tivesse nascido Karl Darwinov, cem anos mais tarde, e se tivesse lançado o seu livro, teria apodrecido num gulage ainda acreditaríamos que éramos filhos de Adão e Eva. Só se ouve falar dos protestos da esquerda aos projectos que ainda se vão adjudicando, ao passo que as suas ideias não passam de meras utopias e delírios de gente sem qualquer contacto com a realidade.

 

E, com esses dois já riscados do mapa, restam os três partidos de direita. Também não me seduzem. Também não me parecem coerentes, nem sequer me parecem o que Portugal necessita, de momento. Se a obra de Sócrates (e, principalmente, o seu nepotismo) está à vista de todos, também é verdade que PPC já deu demasiados tidos nos pés durante a pré-campanha - e Portas, claro está, faz lembrar aqueles cãezinhos minúsculos com mau feitio: tentam encarrapitar-se e morder nos cães grandes, ladrando incessantemente.

 

E, portanto, são estes cinco desastres que temos à escolha para os próximos quatro anos2. Entre Sócrates, PPC, Portas, Jerónimo ou Louçã, argh... preferia era poder mandar vir uns governantes do estrangeiro, a ver se tinham mão nesta canalha que cá anda. Mas aí, bom... talvez o povo se queixasse do apertar ainda mais bárbaro do cinto. Será que pensávamos mesmo que nos iríamos escapar às consequências de gastarmos à tripa-forra? Pois é...

 

 

 

 


1- sendo muuuuuito optimista.

2- não é exequível, sequer, pensar que alguma das outras facções políticas poderá aspirar ao que quer que seja - a não ser disputarem o seu próprio campeonato interno.


Engendrado por Nettwerk van Helsing às 11:17
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Descrição do paciente

Procurar disfunção

 

Julho 2011

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